O Teatro do Disco Solar
O Teatro do Disco Solar

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Mundinho - foto: Eneida Serrano "Talvez eu seja suspeito para falar do show de Hique Gomez, porque sou homenageado por uma música dele. Mas como seu trabalho fica acima de qualquer suspeita, vou falar de qualquer maneira.
Vou dizer da minha admiração por este show que reúne o máximo de talento musical e dramático, com competência que raramente se vê.
Acho que Hique Gomez é hoje uma das expressões maiores da música não só do Rio Grande do Sul, como do Brasil, e este espetáculo veicula o seu talento de forma precisa.
É um show que apela à nossa emoção, nos transporta, graças ao talento musical, e além de tudo nos diverte, nos faz rir.
Acredito que todos irão gostar, sendo suspeitos ou não para falar."

 Moacyr Scliar
Escritor  


Sobre o Artista
Hique Gomez nasceu em Porto Alegre em 1959 e a partir dos 11 anos começou a tocar MPB no violão. Aos 15 já se tornou profissional, tocando guitarra, bandolim e bateria em clubes e casas noturnas da cidade. Dois anos depois, começou a estudar violão clássico, estudos que foram aprofundados no aprendizado de orquestração e arranjos com Kim Ribeiro e Roberto Gnatalli e nas aulas de violino, com Freddi Gerlling. Pianista auto-didata, atuou com vários músicos, até formar a dupla Tangos e tragédias, com Nicolaiewsky, em 84, com quem também fundou o selo Sbornia Records.


Sobre o Espetáculo
Laszlo, o homem-banda  - foto: Eneida Serrano Neste trabalho, o universo musical de Hique Gomez mostra-se bastante denso, sintetizando uma série de influências. Desde o Jazz e a música popular brasileira, incluindo a música Sul Americana com tangos e chamamés, até a música medieval européia (marcada com a sonoridade do Conjunto de Câmara de Porto Alegre, especializado em música medieval ocidental), música contemporânea e música oriental. Violino, viela de roda, sintetizadores, baixo acústico, cornamusa, piano, performances, etc.
Com todas essas combinações e matizes, Hique consegue compor um quadro bastante original. World Music? Sim! Para quem assim o quiser. Mas talvez ainda o resultado deste trabalho possa ser apenas uma outra faceta desse nosso tesouro genuíno chamado Música Popular Brasileira, ou seja, uma abordagem musical do Brasil e do mundo, vistos de baixo para cima, como diz o artista numa referência clara ao sotaque sulista muitas vezes explícito nas letras e arranjos.
Macuco Serra - foto: Eneida Serrano O ator/cantor encarna diversos personagens, mas um deles chama a atenção por suas habilidades. É Laszlo, o homem-banda, que diverte tocando um multi-instrumento. O personagem desfila com um bumbo atado às costas, acionado por uma corda presa ao pé, dois funis presos ao chapéu e acionados por mangueiras que, ao serem sopradas dão o som de cornetas, e nas mãos um bandolim.
Ainda que a dezena de composições vá trocando de tema, o universo dos aluados não sai de cena. Dragões, faquires, palhaços, centauros, malucos e profetas deixam o além para desfilar nas composições que o cantor apresenta. O espetáculo também teve apresentações em conjunto com a Banda Municipal de Porto Alegre e a Orquestra de Câmara Teatro São Pedro, com arranjos especiais do próprio Hique Gomez.

Clown - foto: Eneida SerranoTambém encarna Macuco Serra, um anão tocador de serrote, demitido do Circo Lunar e que foi pedir emprego a Laszlo. Encanta e diverte com sua performance de Mundinho e, quase no final, invade o palco com uma extravagante bicicleta do final do século passado e leva a platéia ao delírio.
Desse espetáculo caleidoscópico e fascinante resultou o CD homônimo O Teatro do Disco Solar, produzido por Hique Gomez e lançado sob o selo independente Sbørnia Recørds.

 Jornal Zero Hora

  


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